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COVID-19 e HIV: o que você precisa saber

COVID-19 e HIV: o que você precisa saber

Os avanços da medicina no combate à Aids e o impacto da pandemia de COVID-19

COVID-19 e HIV: o que você precisa saber

26 Novembro 2020

Ao longo de mais de 30 anos, o combate à aids alcançou resultados importantes. Segundo a Unaids, programa das Nações Unidas para o assunto, o avanço nos tratamentos e campanhas de prevenção reduziu em 55% a mortalidade por HIV desde o pico mundial em 2004.

Conheça alguns desses avanços e entenda o impacto da pandemia de COVID-19 nessas conquistas – e por que as duas lutas devem ser travadas juntas.

 

COVID-19 e aids: duas lutas

Pessoas com HIV têm mais riscos de desenvolver COVID-19?

A importância do autoteste

Prevenção ainda é a melhor atitude: PEP, PrEP e preservativo

Recomendações adicionais

 

COVID-19 e aids

A COVID-19 é uma doença de alta transmissibilidade e que pode ser grave em alguns grupos específicos.

Todas as pessoas que vivem com HIV devem se atentar às medidas de prevenção recomendadas para minimizar a exposição e a infecção pelo novo coronavírus.

Como na população em geral, pessoas portadoras de HIV que tenham mais de 60 anos, problemas cardíacos ou pulmonares têm maior risco de desenvolverem a forma grave da COVID-19, caso sejam infectadas.

Por isso, é fundamental que os portadores de HIV procurem seus profissionais de saúde para garantir que tenham estoques adequados dos medicamentos essenciais.

Apesar da expansão do tratamento da aids nos últimos anos, milhões de pessoas vivendo com HIV não têm acesso à terapia antirretroviral, o que pode comprometer seu sistema imunológico.

 

COVID-19 e AIDS em números

Em oito meses de pandemia, a COVID-19 matou mais de 170 mil brasileiros. Para se ter uma comparação, a aids levou 15 anos para tirar um número parecido de vidas no país (Fonte: análise dos números do boletim epidemiológico do SUS de 2003 a 2018, período em que morreram mais de 177 mil brasileiros por aids).

Nos últimos cinco anos, o número de mortes pela aids caiu 22,8%, de 12,5 mil em 2014 para 10,9 mil em 2018. Porém, no primeiro semestre da pandemia de COVID-19, o Ministério da Saúde registrou redução na busca de testes e tratamentos contra o HIV em cerca de 17%.

Seja pela menor disponibilidade de postos de atendimento durante a quarentena, seja por medo da população em se dirigir a estabelecimentos de saúde, a informação preocupa.

 

Pessoas com HIV têm mais riscos de desenvolver formas graves da COVID-19?

O vírus HIV controlado não leva a maior letalidade da COVID-19. Estudos realizados até o momento mostram que portadores do HIV com o tratamento em dia e sem outras comorbidades apresentam riscos iguais aos da população em geral.

Ou seja, pessoas portadoras de HIV precisam se preocupar tanto quanto as demais sobre os riscos de contágio pelo novo coronavírus: uso de máscaras, higienização frequente das mãos e distanciamento físico, sempre que possível. Mas esses cuidados não podem afastá-las de seus tratamentos.

O tratamento, quando feito de forma adequada e contínua, fortalece o sistema imunológico do paciente. A interrupção, no entanto, pode tornar o vírus mais resistente ao medicamento. Por esse motivo, a informação de que a busca por diagnóstico e tratamento havia diminuído preocupa tanto.

 

A importância do teste

A testagem periódica é fundamental para pessoas com vida sexual ativa ou profissionais com risco de exposição ao vírus, mesmo que não apresentem sintomas.

Quanto antes se descobre o diagnóstico de HIV positivo e se começa o tratamento, menores são as chances de desenvolver a aids, que é a doença propriamente dita. Além disso, o tratamento diminui o risco de transmitir HIV para outras pessoas.

 

Você conhece o autoteste de HIV?

Com a pandemia da COVID-19, o autoteste para HIV ganhou ainda mais importância. O teste, que pode ser feito e interpretado de forma simples em casa, permite que pessoas que ainda não tenham feito o exame por vergonha, preconceito ou mesmo por indisponibilidade de horário, possam fazê-lo com maior privacidade.

O método utiliza fluido oral ou sangue para verificar a presença de anticorpos para HIV no corpo. Os autotestes de HIV podem ser adquiridos em farmácias e drogarias físicas e online e também são oferecidos gratuitamente pelo SUS para parceiros de pessoas portadoras do vírus.

Para saber aonde encontrar o autoteste, clique aqui.

O teste deve ser feito no mínimo 30 dias depois da possível exposição ao vírus. Esse período corresponde à chamada “janela imunológica”, que é o tempo entre a infecção e a produção de anticorpos contra o HIV pelo seu organismo.

O resultado fica pronto em cerca de 20 minutos, mas não é definitivo.

Se aparecer “reagente” (soropositivo), a pessoa precisa procurar um médico para realizar outros testes para confirmar ou não o diagnóstico. Mas, se aparecer não reagente (soronegativo) e não houver exposição no período da “janela imunológica”, não há necessidade de um novo teste.

 

Prevenção ainda é a melhor atitude

Mesmo que o resultado dê negativo, é fundamental manter o uso de preservativos (masculino ou feminino) e, se necessário, fazer uso de outras formas de prevenção, como a PEP ou a PrEP. Você sabe o que são?

 

PEP - Profilaxia Pós-Exposição ao Risco

A PEP é uma medida de prevenção de urgência, que consiste no tratamento preventivo com antirretrovirais para reduzir o risco de infecção em situações como violência sexual, relação sexual desprotegida, camisinha rompida ou acidente com contato direto de material biológico. Ela tem ação preventiva contra HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O tratamento deve ser iniciado em até 72 horas após a exposição ao risco e tem duração de 28 dias. É oferecida gratuitamente pelo SUS.

 

PrEP - Profilaxia Pré-Exposição

A PrEP é um método de prevenção que consiste em um comprimido diário que impede a infecção pelo vírus HIV antes mesmo de a pessoa ter contato com ele. É oferecida pelo SUS e recomendada para pessoas mais expostas ao vírus, parceiras de pessoas portadoras de HIV ou com múltiplos parceiros.

 

Camisinha sempre: a PrEP não dispensa o uso do preservativo. A camisinha (feminina ou masculina) é a forma mais segura e barata para evitar outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, clamídia e gonorreia.

 

Lubrificante: o uso de gel lubrificante, combinado ao preservativo, também ajuda na prevenção, uma vez que reduz o atrito e a possibilidade de microlesões nas mucosas vaginais e anais. Essas lesões são a principal porta de entrada para o HIV e outros micro-organismos. É importante que o gel lubrificante seja à base de água para não danificar o preservativo.

 

Recomendações adicionais

  • Combine com familiares, amigos e vizinhos como vocês podem se apoiar mutuamente em momentos de distanciamento social, como, por exemplo, na compra alternada de alimentos e medicamentos
  • Busque manter contato constante com amigos e familiares, seja por telefone, seja por rede social
  • Na medida do possível, busque ter em estoque a medicação necessária para tratamento do HIV para 30 dias ou mais. As diretrizes da Organização Mundial de Saúde recomendam distribuição de três meses ou mais de medicamentos de HIV para a maioria das pessoas em visitas de rotina
  • Tenha em mãos os contatos do seu médico ou clínica, para casos de necessidade
  • Saiba como ter acesso ao tratamento e a outros tipos de apoio em sua comunidade. Esse tratamento pode incluir terapia antirretroviral, medicamentos para tuberculose (caso esteja em tratamento para tuberculose) e qualquer outro medicamento para outras doenças que você possa ter
  • Dê atenção especial à sua saúde mental

 

A prevenção é uma forma de cuidar de si e do outro. Diálogo aberto e acordos claros entre parceiros sexuais fazem parte disso. É fundamental conversar sobre a realização de testagem periódica, respeitando a janela imunológica, e sobre o uso de preservativo para controlar o avanço do HIV e preservar a saúde de todos.

Sífilis : veja como se prevenir contra o avanço da doença

Texto: Agência Babushka | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Fonte: Ministério da Saúde, UOL, UNAIDS, Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde.

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil


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